sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um Tributo a Mim Mesma

NÃO SEI PORQUE

Não sei porque mas hoje choro

por dentro, como se fosse

Pingos esparços de chuva

grossa que ameaça cair

do céu nevoento, amedrontando

as crianças e espantando a criação.


Não sei porque mas hoje choro

por dentro, como se fosse

uma torrente de águas revoltas que

correm em direção ao mar e se

violentam e se agridem na

luta pela posse da vastidão do oceano.


Não sei porque mas hoje choro

por dentro, como se fosse

um enorme pássaro que engole a imensidão do universo

com suas possantes asas e sofre a idéia de perdê-las um dia,

e nunca mais voar.


Não sei porque mas hoje choro por dentro e por fora

Como se fosse gente, que sofre,

Como a mulher abandonada por seu bem querer

E sabe que não mais vai encontrá-lo.


Não sei porque mas hoje

Não choro, nem por dentro nem por fora,

Como se fosse feita de carne e osso,

Com um coração no peito cheio de sentimento,

Como se realmente fosse alguém que sempre chorou.


(VLEOA-1977)

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